APTA apresenta na Agrishow técnica de enxertia de maracujazeiro que previne doença causada por fungo de solo

APTA apresenta na Agrishow técnica de enxertia de maracujazeiro que previne doença causada por fungo de solo

Durante a 23ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Polo Regional de Adamantina, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA Regional), apresenta, pela primeira vez, a técnica de enxertia de maracujazeiro. A tecnologia ajuda a prevenir a morte prematura, doença que pode causar até 100% de perda das plantas e inviabilizar a produção em áreas contaminadas. No estande da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, os visitantes poderão ver cerca de 500 mudas de maracujá enxertadas, a serem enxertadas e em formação, aprender a técnica de enxertia do maracujazeiro e falar com os pesquisadores.

A técnica da enxertia consiste na utilização de espécies tolerantes à doença como porta-enxerto. Apesar de ser bastante usada na citricultura e viticultura, a tecnologia ainda é pouco empregada nos plantios de maracujá, pois é relativamente recente na cultura do maracujazeiro e os produtores ainda não possuem informações suficientes para a sua utilização. Os porta-enxertos são híbridos de diferentes espécies mais rústicas, com resistência a pragas, doenças e nematoides do solo. Eles servem de base para a instalação de cultivares com características desejáveis e valor comercial, que está na copa da planta e responde pela produção.

Nedito Reinaldo Silva, de 63 anos, pequeno produtor de frutas e hortaliças em Mongaguá, litoral paulista, já participou de cursos para fazer enxertia em frutas e citros, mas nunca tinha ouvido falar de enxertia em maracujá. “Esse trabalho é muito interessante. Venho sempre na Agrishow para isso: conhecer novas tecnologias para os pequenos produtores”, afirma. Interessado, Nedito se informou sobre como conseguir o porta-enxerto e já pensa em usar a técnica em sua propriedade.

A pesquisa desenvolvida pela APTA valida à tecnologia do uso de enxertia de maracujazeiro para a prevenção da doença, que não tem tratamento. “Uma vez que a afetada pelos patógenos, a planta certamente morrerá. A aplicação de defensivos agrícolas também não tem sido uma solução eficiente. Os produtores procuram medidas de controle preventivas, entre elas, o uso da enxertia”, diz o pesquisador da APTA, José Carlos Cavichioli.

A morte prematura é atribuída à associação de fungos de solo, nematoides e bactérias, que atacam o sistema radicular e que se manifestam e dizimam rapidamente, causando a morte das plantas em plena fase produtiva. “O uso da enxertia tem sido a solução para o plantio em áreas com histórico da doença, locais em que as produções são inviabilizadas por conta dos fungos patógenos presentes no solo”, diz o pesquisador.

De acordo com Cavichioli, esta doença atinge todas as variedades comerciais de maracujazeiro azedo existente. “O que existe são algumas espécies tolerantes, como a Passiflora gibertii. É uma tecnologia de produção sustentável, sem agressão ao ambiente e que permite a convivência da cultura do maracujazeiro-amarelo em área com histórico da doença, viabilizando o cultivo em áreas antes condenadas”, diz o pesquisador.

Como resultado destas pesquisas, verificou-se que a espécie que apresentou melhor comportamento como porta-enxerto foi o Passiflora gibertii. Observou-se também que o melhor tipo de enxertia é o de garfagem do topo em fenda cheia, com pegamento de até 90%. Esta pode ser realizada quando as plantas apresentam idade por volta de 40 dias, e deve ser realizada de cinco a 10 cm da região do colo.

“Na Agrishow, nossos pesquisadores se aproximam ainda mais dos agricultores com o objetivo de transferir tecnologia para melhorar a renda e a vida no campo. O governador Geraldo Alckmin sempre nos orienta a aproximar a pesquisa do produtor rural, para melhorar a vida no campo”, afirma Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O pesquisador alerta para que a técnica seja usada somente quando o solo for condenado e apresentar os fungos. “Em áreas com o histórico da doença, a produção de enxertado é maior, por não existir morte das plantas. Em condições normais, ou seja, em área sem histórico da doença, a produção de maracujazeiro enxertado é menor do que a sem enxerto”, diz.

Cerca de 40 produtores utilizam a tecnologia proposta pela APTA na Alta Paulista, região é responsável por 25% da produção de maracujá do Estado de São Paulo e que produz cerca de cinco mil toneladas de maracujá, por ano. “A tecnologia pode ser adotada em outras regiões do Estado e do País. A cultura do maracujá é interessante para a agricultura familiar, por oferecer o mais rápido retorno econômico, entre as frutíferas, e uma receita distribuída pela maior parte do ano”, afirma.

Por Fernanda Domiciano e Giulia Losnak

Mais informações

Assessoria de Comunicação

Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios

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