DF: LIVRO DA EMBRAPA REÚNE RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS PARA A PRODUÇÃO DE ABACAXI NO ACRE

DF: LIVRO DA EMBRAPA REÚNE RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS PARA A PRODUÇÃO DE ABACAXI NO ACRE

Brasília/DF
Conhecimentos sobre solos, práticas de manejo para o cultivo comercial e cultivares recomendadas para plantio, entre outros conteúdos, integram a publicação “Sistema de Produção da Cultura do abacaxi para o Estado do Acre”, lançada pela Embrapa. A obra também informa sobre as tecnologias disponíveis para melhorar o cultivo da fruta, geradas pela pesquisa científica nos últimos 30 anos. O objetivo é divulgar informações sobre a cultura e orientar sobre as diferentes etapas da produção, em propriedades rurais acreanas.

Dividido em 16 sessões, o livro aborda desde características de clima e solos indicados para a cultura, até procedimentos de colheita e pós-colheita, além de informações sobre o mercado da fruta, custos da atividade produtiva e indicadores de viabilidade econômica entre outros aspectos relacionados à produção. Produzida por pesquisadores e técnicos da Embrapa do Acre e Pará e Universidade Federal do Acre (Ufac), a publicação também informa sobre as localidades aptas para a cultura e sistemas de cultivo baseados em distintos níveis tecnológicos.

“Buscamos disponibilizar, de forma sistematizada, princípios essenciais para cultivo do abacaxizeiro e recomendações técnicas para melhorar o desempenho da cultura. Essa gama de informações pode ser fonte de consulta para produtores rurais, extensionistas, estudantes e professores, entre outros públicos, e poderá servir de base para a realização de capacitações na cultura. Estamos à disposição das instituições de apoio e fomento à produção para contribuir com a transferência desse conhecimento”, diz o pesquisador da Embrapa Acre, Romeu de Carvalho, um dos editores técnicos da publicação, autor e co-autor de seis capítulos.

A versão impressa do livro será disponibilizada para instituições parceiras, produtores e técnicos da extensão rural envolvidos com a produção de abacaxi, durante atividades voltadas para a melhoria da cultura como cursos e palestras. Acesse aqui o formato digital.

 

Produção contínua

 

Segundo dados da publicação, o Acre apresenta condições de clima e solo favoráveis para o cultivo de abacaxi, mas a produção é insuficiente para abastecer o mercado interno. Por ser uma cultura sazonal, com oferta de frutos somente de agosto a dezembro, o Estado importa a fruta no período de entressafra. A concentração da safra no segundo semestre do ano inviabiliza o cumprimento de contratos anuais de fornecimento de frutos, pelos produtores, para estabelecimentos comerciais.

De acordo com Andrade, o uso das técnicas de irrigação durante o período de estiagem no estado e indução do florescimento das plantas pode viabilizar a produção contínua de frutos. Esses procedimentos devem ser associados a práticas adequadas de manejo da cultura como a realização de calagem e adubação, com base nos resultados das análises do solo, para corrigir os níveis de acidez e manter as plantas bem nutridas, e plantio em diferentes épocas do ano, por tipo e tamanho das mudas. “Além disso, é necessário utilizar mudas de qualidade, produzidas por viveiros credenciados, e diversificar a produção com diferentes variedades de abacaxi. Quando adotadas de forma conjunta e planejada, essas práticas permitem produzir de forma escalonada, com oferta de frutos para o mercado consumidor e renda para as famílias rurais durante todo o ano”, ressalta.

 

Áreas aptas para cultivo

 

As pesquisas para o zoneamento tiveram como foco a identificação de áreas alteradas aptas para o cultivo de abacaxi, considerando exigências da cultura. “Analisamos aspectos da morfologia (estrutura) e composição física e química dos solos e particularidades do clima (temperatura média anual, volume de chuvas durante o ano e em período de estiagem), nos 22 municípios acreanos. Os resultados revelaram imensas áreas com aptidão para a cultura e possibilitaram a definição de três sistemas de cultivo com níveis distintos de adoção de tecnologias no manejo do solo”, explica o professor da Ufac, Nilson Bardales, coordenador dos estudos.

Para o cultivo baseado apenas nas condições naturais do solo, ou seja, sem uso de recursos tecnológicos para melhorar as condições de fertilidade, o zoneamento identificou a existência de 575.776,6 hectares de terra em condições favoráveis para a cultura. As áreas com maior potencial para esse tipo de cultivo estão nos municípios de Bujari, Rio Branco, Porto Acre, Senador Guiomard e Sena Madureira.

Para o sistema de cultivo com nível tecnológico intermediário, com uso de adubação do solo e práticas simples de controle de erosão, as áreas prioritárias para o plantio de abacaxi somam 378.780 hectares, distribuídos nos municípios de Bujari, Plácido de Castro, Rio Branco e Senador Guiomard. “Estes três últimos municípios também concentram as maiores áreas com aptidão para a cultura em sistema intensivo de cultivo, que incorpora técnicas avançadas de manejo do solo como mecanização e irrigação, totalizando 455 mil hectares”, diz Bardales.

Cultura economicamente viável

 

O maior produtor nacional de abacaxi é o Pará, com um volume de 426.780 milhões de frutos, em 2018, seguido da Paraíba e Minas Gerais, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o estado paraense lidere o ranking nacional de produção, a maior produtividade média na cultura está no Amazonas, com 31,4 mil frutos por hectare, 27,5% acima da média nacional de 24,7 mil frutos por hectare. No Acre, a média de produtividade é de 12 mil frutos por hectare, superando apenas o Amapá (8 mil frutos/hectare) e Ceará (9,4 mil frutos/hectare).

Estudos da Embrapa revelam que um dos fatores que influenciam a produtividade no Estado é a baixa densidade dos plantios, com 20 mil plantas por hectare, em função da falta de conhecimento do produtor rural em relação aos espaçamentos adequados na implantação dos cultivos. “Em sistemas de produção recomendados pela pesquisa é possível dobrar o número de plantas na área. O plantio em fileiras duplas, por exemplo, com distâncias que variam entre um metro a um metro e vinte centímetros de uma fileira para outra e espaçamento de 40 centímetros entre as plantas, permite cultivar 35 mil plantas por hectare”, diz Andrade.
Para o economista Márcio Bayma, analista da área de Transferência de Tecnologias da Embrapa Acre, mesmo com o baixo desempenho produtivo dos cultivos plantar abacaxi no Acre é viável economicamente. “A fruta tem mercado garantido e possibilita uma receita bruta em torno de 34 mil reais por hectare. Esse resultado demonstra o potencial econômico da cultura e o seu valor como fator de geração de renda, aspecto que pode servir como atrativo para a adoção de tecnologias pelos produtores rurais para melhorar a produção”, enfatiza.

Controle de pragas e doenças

 

Como outras culturas, o abacaxizeiro é uma planta susceptível a diferentes pragas e doenças, de acordo com a região de cultivo. De acordo com a publicação, no Acre, as principais doenças da cultura são a Podridão do olho e a Podridão-negra. Entre as pragas de maior impacto na produção destacam-se a Broca-do-fruto e o percevejo-do-abacaxi. O monitoramento sistemático das lavouras, aliado ao manejo adequado, reduz riscos de ocorrência e minimiza prejuízos. O livro também descreve os sintomas e apresenta alternativas de controle desses e outros problemas fitossanitários da cultura.

Segundo o pesquisador da Embrapa Rodrigo Santos, que também integra o time de autores da publicação, algumas pragas do abacaxizeiro estão restritas à região amazônica, como o percevejo-do-abacaxi, inseto que ataca a coroa dos frutos e pode causar perdas na produção. “O método de combate mais recomendado ainda é o uso de produtos comerciais autorizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com dosagens de acordo com o grau de ocorrência. Orientamos a realização de vistorias constantes nos cultivos, com contagem dos percevejos. A presença de cinco insetos ou mais, por fruto, já exige o controle químico”, explica.

 

Subsídio para políticas públicas

A cultivar de abacaxi mais plantada no Acre é a BRS-RBO (inicialmente registrada como Rio Branco), por ser produtiva, resistente a pragas e doenças e atender a exigências do mercado consumidor, principalmente em relação ao sabor mais adocicado. “O Estado tem potencial para o cultivo da fruta, conta com conhecimentos e tecnologias disponíveis e estamos trabalhando para recomendar novas cultivares, para diversificar os plantios. Entretanto, o desenvolvimento da produção requer também a implementação de políticas públicas para a cultura”, afirma Andrade.

Conforme o pesquisador, o primeiro passa para consolidar a cultura do abacaxi e outras frutíferas no Estado é a criação de uma câmara setorial para a fruticultura, com câmaras temáticas para as diferentes culturas. Além de debater e definir prioridades para cada cadeia produtiva, esses espaços de diálogo funcionam como instrumento de apoio à formulação de políticas de incentivo e fortalecimento da produção, incluindo o acesso a crédito rural, capacitação e assistência técnica, entre outras necessidades dos produtores. As informações técnicas contidas na publicação também podem subsidiar esse processo.

Fonte: Embrapa Acre

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