IAC MODERNIZA UNIDADES DE PESQUISA

IAC MODERNIZA UNIDADES DE PESQUISA

 

 

Leandro Ferreira

A pesquisadora Eliane Benato avalia frutas no Laboratório de Fisiologia Vegetal e Pós-Colheita: modernização

 

Por Daniel de Camargo

A Unidade de Produção de Sementes, o Laboratório de Fisiologia Vegetal e Pós-Colheita e o prédio de Horticultura do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) estão com nova estrutura. O objetivo das adequações — entregues no final de março — é qualificar ainda mais a já notável pesquisa agrícola da instituição, uma virtude reconhecida internacionalmente.

Nem todos sabem, mas Campinas é o nascedouro de parte das sementes de diversas culturas que são plantadas em lavouras e formam os campos em diferentes estados do Brasil. A instituição produz os grãos genéticos das cultivares de plantas agrícolas como arroz, feijão, trigo, milho, milho-pipoca, triticale, aveia, amendoim e tantas outras. Situado dentro do perímetro urbano da cidade, na Avenida Theodureto de Almeida Camargo, no Jardim Nossa Sra. Auxiliadora, a Fazenda Santa Elisa abriga estas repartições de notória capacidade científica.

Cerca de R$ 2 milhões foram investidos nas três unidades reformadas somente em 2017 — recursos provenientes do governo do Estado, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de recursos da própria instituição, fruto da transferência de produtos e serviços.

Sérgio Augusto Morais Carbonell, diretor-geral do IAC, afirma que desde 2015 recursos estão sendo destinados à promoção das pesquisas, que consequentemente resultando em inovação. “Estamos modernizando e revitalizando as estruturas para entregar os produtos ao setor do agronegócio”, completa.

Laboratório

O remodelamento da Unidade Básica de Sementes, em uma área de 408,17 m², sofisticou o laboratório onde é avaliada a germinação e se tudo está ocorrendo como deveria no processo da semente genética. Essa classe de grão é aferida por especialistas como condição primordial para obter um bom desempenho na agricultura. Isto, devido a ela sustentar características alcançadas através de estudos, que garantem ao agricultor a identidade do material que vai ao campo.

Produção em massa

O instituto tem produzido aproximadamente 500 toneladas de sementes genéticas por ano. Para o pesquisador Alisson Fernando Chiorato, esse número é considerado baixo, mas o resultado final é amplamente superior, porque estes ainda serão multiplicados outras cinco vezes. “Entregamos a primeira geração às empresas que vão proliferar e repassar aos agricultores”, detalha.

Em meio às sementes produzidas estão aproximadamente 16 espécies, resultando em uma média de 45 cultivares desenvolvidas. O material escolhido passa pelo critério de aceitabilidade demonstrada pelo setor agrícola. Chiorato reforça que tudo depende da receptividade, pois o trabalho é direcionado ao melhoramento genético na atividade de pesquisa. Outra possibilidade é a exclusão do material do mercado. Ele enfatiza que o potencial de produção desta categoria de sementes é focado em materiais que realmente são procurados pelos agricultores.

A instituição age em conjunto à Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), também vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que recebe estas sementes, uma vez que gera exclusivamente grãos básicos.

Logística beneficiada

A pesquisadora do IAC Sílvia Regina de Toledo Valentini comenta que a troca da área da Fisiologia Vegetal para o novo prédio aperfeiçoou a logística das pesquisas, aproximando laboratório, equipamentos, casas de vegetação e áreas de experimentação em campo. Ela analisa que o impacto mais preponderante da área de Pós-Colheita foi reunir seis pesquisadores com diferentes especialidades. Já o prédio de Hortaliças, terá agora um espaço maior designado a análises com maracujá e flores tropicais, entre outros.

Coordenador da APTA exalta importância do IAC para o Brasil

Orlando Melo de Castro, coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, afirma que o “Instituto Agronômico é uma das principais instituições de ciência e tecnologia na área agrícola do País”. Castro acrescenta que, ao longo de seus 130 anos, o Instituto lançou 1.067 cultivares de 99 espécies de plantas, que são cultivadas por produtores rurais de todo o Brasil e até mesmo do Exterior. “O desenvolvimento de novas cultivares é fundamental para o sucesso do agronegócio brasileiro, por disponibilizar ao setor de produção plantas mais produtivas, resistentes a pragas e doenças e que usam menos água para produzir, por exemplo. Além desses trabalhos, o IAC desenvolve pesquisas na área de solos, climatologia, tecnologia de pós-colheita e tecnologia de aplicação de defensivos”, explica.

Espaço ganhou cinco laboratórios

Foram construídos, em nova área com 736,26 m², cinco laboratórios: Fisiologia Vegetal, Análises Físico-Químicas em Pós-Colheita, Fitopatologia Pós-Colheita, Cromatografia Gasosa e Análise de Imagens em Pós-Colheita. Além disso, três câmaras refrigeradas, nove salas para pesquisadores, uma área de manuseio de matéria-prima, uma sala para estagiários e alunos do Programa de Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Subtropical do IAC, uma sala para pesquisadores visitantes e uma sala de aula e de reuniões. A reestruturação compreendeu novas instalações hidráulicas e elétricas, instalação de linha de gases analíticos especiais, gerador, troca e impermeabilização do telhado, troca de pisos, além da instalação de novo sistema de telefonia e de internet e sistema de segurança.

SAIBA MAIS

Fundado em 1887 pelo imperador D. Pedro II, inicialmente tendo recebido a denominação de Estação Agronômica de Campinas, o Instituto Agronômico passou a ser administrado pelo governo do Estado de São Paulo em 1892. Atualmente, a organização conta com 161 pesquisadores científicos, além de 319 funcionários de apoio. A área física totaliza 1.279 hectares de terras que abrigam a sede, o Centro Experimental e 12 Centros de Pesquisa distribuídos por Cordeirópolis, Jundiaí, Ribeirão Preto e Votuporanga, ocupados com laboratórios, casas de vegetação e outras infraestruturas que visam assegurar a oferta de alimentos à população e matéria-prima à indústria.

 

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