PR: PESQUISADORES DESENVOLVEM FEROMÔNIO SINTÉTICO DE IMPORTANTE PRAGA DO COQUEIRO, DIZ EMBRAPA

PR: PESQUISADORES DESENVOLVEM FEROMÔNIO SINTÉTICO DE IMPORTANTE PRAGA DO COQUEIRO, DIZ EMBRAPA

Aracaju/SE

Pesquisadores da UFPR e Embrapa conseguiram identificar e sintetizar em laboratório, pela primeira vez, a molécula que atua como feromônio de agregação do besouro Homalinotus depressus, conhecido como broca do coqueiro, uma das pragas mais frequentes em coqueirais no Brasil, que causa grandes perdas financeiras na cultura, principalmente na região Norte.

Realizada entre 2012 e 2016, a pesquisa com achados inéditos sobre a broca do coqueiro é tema de um artigo publicado no final de janeiro na versão on-line da Scientific Reports, prestigiada revista científica internacional do grupo Nature Research.
O artigo, intitulado &39;Isophorone derivatives as a new structural motif of aggregation pheromones in Curculionidae & 39;, é assinado por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Química, cuja excelência é reconhecida pela Capes com nota máxima. O texto é baseado na tese de doutorado defendida pelo pesquisador Diogo Montes Vidal.

Além dele, assinam o texto Marcos Antônio Barbosa Moreira, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), Miryan Denise Araujo Coracini e o professor Paulo Henrique Gorgatti Zarbin, orientador do trabalho.

Os feromônios são compostos químicos que, liberados no ar, servem como sinal de comunicação entre os animais, para fins de defesa, localização, atração sexual e agregação. No caso do coco, o besouro Homalinotus depressus, cuja infestação em coqueirais foi identificada pela primeira vez em 2008, aloja-se numa região conhecida como “axila” da fruta e suas larvas constroem galerias que interrompem o fluxo da seiva, causando a queda de flores e frutos.

Também são registrados ataques de insetos adultos em diferentes estágios do coqueiro. Por se alojar no interior da planta, essa praga não pode ser controlada com inseticidas convencionais.

Contribuição para outras pesquisas

Partindo da hipótese de que o uso dos feromônios para o controle da praga é promissor, os pesquisadores da Ufpr trabalharam para identificar o feromônio do inseto macho responsável por atrair os besouros para as áreas de cultivo de coco.

Uma vez identificado o composto, ele foi sintetizado em laboratório e colocado em septos de borracha acoplados a armadilhas e instalados no alto de coqueiros. O produto natural sintético é liberado de forma controlada e tem seu efeito potencializado pelos compostos voláteis da própria planta.

O orientador do estudo, professor Paulo Zarbin, explica que vários grupos de pesquisa vêm trabalhando na identificação e síntese de feromônios de insetos da família Curculionidae (à qual pertence o Homalinotus depressus), mas até agora não havia estudos para nenhuma espécie do gênero Homalinotus.

“O nosso trabalho de identificação da estrutura química da molécula desse feromônio poderá contribuir para estudos relacionados a outros insetos da mesma família, que também causam prejuízos econômicos a diversas culturas”, afirma Zarbin.

Captura massiva

Segundo ele, a aplicação do resultado da pesquisa em campo está no primeiro estágio, no qual as armadilhas instaladas permitirão determinar a incidência da praga em cada área.

Num segundo estágio, com base nos dados recolhidos será desenvolvido um sistema de captura massiva de insetos, espalhando um número maior de armadilhas, conforme a necessidade de cada área.

“Além de resolver um problema do qual os inseticidas convencionais não dão conta, o composto sintético desenvolvido na UFPR tem a vantagem de não criar resistência nos insetos, uma vez que é natural. Ele não dizima a praga, como fazem os agrotóxicos. A ideia é reduzir a população de insetos a um nível abaixo do ponto crítico para ser considerada uma praga”, afirma Zarbin.

 

Cultura do coco

 

O Brasil é o quarto maior produtor mundial de coco, atrás de Indonésia, Filipinas e Índia. De acordo com dados apresentados na tese de Diogo Vidal, o País produz em torno de 2,8 milhões de toneladas por ano, o que corresponde a 4% da produção mundial.

Os coqueirais brasileiros se estendem por uma área de aproximadamente 300mil hectares, desde o Pará até o Rio de Janeiro.

“É uma cultura com importância econômica e social, pois deste fruto obtém-se diversos produtos, como água e leite de coco, madeira, fibras, combustível, ração animal, óleos e outros derivados para o processamento agroindustrial”, afirma Vidal no texto. “Além disso, o cultivo pode ser consorciado com outras espécies vegetais anuais como a mandioca ou perenes como o cupuaçuzeiro, propiciando uma fonte de renda extra, principalmente, para o pequeno produtor”, explica.

De acordo com ele, insetos-praga estão entre os principais fatores responsáveis pelos os baixos índices de rendimento dos coqueirais brasileiros por provocarem prejuízos severos às plantas. Além do Brasil, há registro de ocorrência de Homalinotus nas Antilhas, Colômbia, Guiana Francesa, Guiana e Suriname.

Controle de pragas

 

Por ser uma cultura de regiões tropicais, cultivada em áreas mais quentes e úmidas, o coqueiro é suscetível a uma grande quantidade de doenças e pragas, muitas delas bastante agressivas, que podem chegar a dizimar plantações inteiras, como o amarelecimento letal, a resinose e atrofia letal da coroa.

O fato de não existir uma grande variedade de produtos para combate registrados e liberados para uso na cocoicultura, aliado aos riscos de resíduos desses produtos se integrarem à água e à polpa, tem motivado produtores e pesquisadores a buscar alternativas mais sustentáveis de manejo de pragas e doenças.
Entres essas técnicas está o manejo integrado de pragas (MIP), que combina medidas voltadas para diminuir o uso de agrotóxicos na produção convencional, buscando promover o equilíbrio nas plantas e monitorar as pragas evitando, ao máximo, o uso desses produtos no sistema, e o controle biológico, que busca controlar as pragas agrícolas e os insetos transmissores de doenças a partir do uso de seus inimigos naturais, que podem ser outros insetos benéficos, predadores, parasitóides, e microrganismos, como fungos, vírus e bactérias.

Fonte: Embrapa Tabuleiros Costeiros

 

 

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