PREJUÍZOS CAUSADOS PELA TRAÇA DA BANANEIRA E MÉTODOS DE MANEJO

PREJUÍZOS CAUSADOS PELA TRAÇA DA BANANEIRA E MÉTODOS DE MANEJO

A traça-da-bananeira, além dos prejuízos diretos aos produtores de banana, acaba por criar barreiras fitossanitárias à exportação para países como a Argentina, onde é considerada praga quarentenária. O combate ao inseto demanda medidas que passam pelo exame criterioso dos cachos em casa de embalagem para detectar e eliminar os frutos com sintomas externos da presença da traça, além de outras técnicas como o ensacamento e controle químico para proteger os frutos

Sob o ponto de vista entomológico a espécie Opogona sacchari, conhecida popularmente como traça-da-bananeira, é considerada uma praga de importância secundária, já que não causa perdas significativas de produtividade para a cultura e prejuízos diretos aos bananicultores catarinenses que comercializam a banana no mercado interno. No entanto, o prejuízo é grande quando cargas de banana, exportadas para a Argentina, são rechaçadas por técnicos que trabalham na barreira fitossanitária da Estação Aduaneira de Dionísio Cerqueira, Santa Catarina, ao constatarem a presença de lagartas em amostras de caixas da fruta inspecionadas naquele local. Isso ocorre devido à traça-da-bananeira tratar-se de uma praga quarentenária naquele país.

A espécie Opogona sacchari (Lepidoptera: Lyonitidae) é uma praga exótica, originária de zonas úmidas das regiões tropical e subtropical da África. Na década de 20 foi observada atacando frutos de banana nas Ilhas Canárias. No Brasil, sua presença foi constatada, pela primeira vez, no estado de São Paulo no município de Guarujá em 1972, de onde se dispersou para os outros municípios produtores de banana do Vale do Ribeira. Em Santa Catarina foram observados ataques a partir do ano de 2003 na região produtora do Litoral Norte. Os municípios catarinenses com histórico de ocorrência da praga são Corupá, Schoereder, Guaramirim, Jaraguá do Sul, São João do Itaperiú, Balneário Piçarras, Barra Velha, Massaranduba e Luís Alves, sendo que os dois últimos municípios se destacam por apresentarem os bananais mais atacados e com maiores índices de rechaços de cargas.

Trata-se de uma praga polífaga que possui diversas plantas hospedeiras, entre elas milho, cana-de-açúcar, haste da mandioca, estipe de palmeiras, além de tubérculos de batata, inhame, bambu-palmas, gladíolo e dália. Em casas de vegetação ataca as plantas ornamentais:

Dracaena, Strelizia, Begonia,Bougainvillea, Euphorbia, Ficus, Philodendron. A lagarta pode ainda se desenvolver em cultivos do cogumelo comestível shitake (Lentinula edodes), causando redução na produção. Tem-se observado, com preocupação, o ataque à palmeira real (Archontophoenix spp), cultura em expansão no Litoral Norte catarinense em áreas tradicionais de exploração da bananicultura.

 

Reconhecimento e aspecto biológico

 

Adulto: tem hábito noturno e coloração, em geral, castanho-clara, quase palha. Os machos são geralmente menores que as fêmeas, medindo 18,0mm de envergadura e as fêmeas 23,0mm. As asas anteriores da fêmea possuem duas manchas escuras. Seu abdome é mais robusto, enquanto o do macho é mais afilado. As posturas são realizadas, preferencialmente, na região do pistilo (ponta do fruto). Os adultos podem viver até duas semanas.

Ovo: apresenta coloração amarelo-clara e forma elíptica. A fêmea realiza posturas isoladas ou agrupadas e o período de incubação varia de seis a sete dias.

Lagarta: ao eclodir, a lagarta mede, em média, 2mm de comprimento e é de coloração amarelo-clara e cabeça marrom. Ao final da fase a larva alcança cerca de 25mm de comprimento. A duração da fase larval é de 18 dias a 35 dias. Ao completar esta fase, a lagarta tece uma espécie de casulo e empupa junto ao pseudocaule.

Pupa: é de coloração marrom-avermelhada e mede em torno de 12mm de comprimento. A fase de pupa dura, em média, 12 dias. Após, emergem os adultos que se acasalam e reiniciam o ciclo biológico.

Medidas de controle

– Ensacamento: o ensacamento precoce dos cachos com sacos de polietileno reduz, de modo geral, a infestação de pragas que atacam os frutos.

Medidas culturais

– Despistilagem: retirada dos restos florais aderidos aos frutos. Trata-se de uma prática importante porque são os locais preferidos para a fêmea realizar a postura. Esta operação normalmente é realizada na casa de embalagem.

– Descarte: a casa de embalagem deve ser adequada (bem iluminada) e a equipe de embaladores tem de estar capacitada para realizar a inspeção das pencas e buquês e eliminar o material que apresente vestígios de ataque da praga.

Controle químico: o uso de sacos impregnados com inseticidas tem controlado eficazmente a praga. Também é recomendado o uso de “gravata”, ou seja, tiras (10cm de largura por 90cm de comprimento) recortadas dos sacos impregnados com inseticidas e amarradas no cacho por aproximadamente um mês antes do ponto de colheita. A pulverização indiscriminada de inseticida pode agravar o problema de ataque da praga, já que mata os inimigos naturais, como é o caso de vespinhas parasitoides de ovos, que são agentes importantes no controle da praga.

Para resolver ou minimizar o problema com relação à exportação da fruta existe a Instrução Normativa Nº 28, de 07/2009, do Ministério da Agricultura, Pecuária Abastecimento (Mapa), que estabelece os critérios e procedimentos de prevenção e controle da praga, com ênfase no exame criterioso que se deve fazer no cacho de banana na casa de embalagem, detectando e eliminando os frutos com sintomas externos da presença da praga.

 

Clique aqui para ler o artigo na Cultivar Hortaliças e Frutas edição 80.

 

José Maria Milanez

 

Epagri

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