RS: CURSO DE NOGUEIRA-PECÃ ENCERRA EM BUSCA DA QUALIDADE DO FRUTO PARA UM MERCADO EM CRESCIMENTO, DIZ EMBRAPA

RS: CURSO DE NOGUEIRA-PECÃ ENCERRA EM BUSCA DA QUALIDADE DO FRUTO PARA UM MERCADO EM CRESCIMENTO, DIZ EMBRAPA

Pelotas/RS

Com o crescimento do cultivo da nogueira-pecã no Estado houve um aumento de demandas pelo setor produtivo. A Embrapa Clima Temperado (Pelotas,RS) promoveu o II Curso sobre o Cultivo da Nogueira-Pecã para atualizar e capacitar técnicos e produtores nas novidades da pecanicultura no Brasil, com boas práticas de manejo e principais pragas e doenças O evento foi realizado na Estação Experimental Cascata (ECC) entre os dias 22 e 24 de novembro.

Os números e o avanço da cultura da noz pecã surpreendem a cada dia, hoje as principais culturas de frutas de clima temperado são uva, maça e pêssego, e após essas, já se inclui a noz-pecã (que supera as oliveiras em área plantada).”Esses números somam mais de seis mil hectares de área e no próximo ano a estimativa é que se supere as 250 mil mudas de nogueira-pecã”, disse o pesquisador Carlos Roberto Martins. Este número revela a importância da pesquisa, extensão e ações de políticas públicas que atendam a essa demanda que crescerá ao longo dos anos.

“O II Curso sobre o Cultivo da Nogueira-Pecã atendeu as demandas dos  produtores da região, pois muitos desejam investir no setor e possuem muitas dúvidas”, esclareceu Martins. As temáticas abordadas no II Curso mostraram as  atualizações de dados quanto ao controle de doenças e pragas; manejo do pomar; poda e adubação e as vantagens e desvantagens das principais cultivares que são plantadas na região.

 

Novidades foram apresentadas

 

Uma novidade apresentada no curso foi o modelo de produção consorciada. Segundo o pesquisador Carlos Martins como a nogueira-pecã se adaptou muito bem na região, nesta edição do curso, foram apresentadas experiências de vários produtores locais que cultivam noz-pecã consorciada com outras culturas como milho, erva-mate, batata-doce, amendoim e com a pecuária. “Essa novidade é importante, pois oferece ao produtor uma possibilidade de diversificação da sua renda”, destaca Martins.

O sistema agroflorestal de cultivo de nogueira-pecã, foi outra possibilidade apresentada pela pesquisa.“Os participantes puderam ver e acompanhar o desenvolvimento da nogueira e como ela está produzindo, isso é algo bastante novo,”, diz Martins.

 

Boas práticas de manejo é destaque nas palestras

 

Como não existem produtos hoje registrados para o controle de pragas e doenças da nogueira-pecã todo o manejo recomendado ao produtor se baseia principalmente nas boas práticas. Foram realizadas palestras sobre essas técnicas, que influenciam a susceptibilidade da planta sobre pragas e doenças.

A escolha da cultivar adequada é uma das boas práticas que garante o sucesso da produção e, entre as suas falas, o palestrante da UFSM, Jonas Hamann, recomendou as principais cultivares de nogueira-pecã para a região. Segundo ele, o mercado aponta como principal nogueira a cultivar Barton, presente em cerca de 70% de pomares da região. “A Barton é cultivada porque apresenta como principais características o alto rendimento da amêndoa e resistência à sarna, principal doença que acontece a fruta e a folha da nogueira-pecã”, diz Hamann.

O pesquisador da Embrapa Dori Nava apresentou sua palestra com o objetivo de demonstrar as principais pragas que ocorrem na planta e como combatê-las. Ele também revelou quais pragas são detectadas no Brasil, que apresentam perspectiva para se tornar as principais pragas da cultura. O pesquisador explica que existem três pragas principais com maior potencial para se tornar limitantes a cultura, os pulgões amarelos, a lagarta do fruto (popularmente conhecida como bixo furão) e os escolitídeos (pequenos besouros que perfuram as plantas). Além disso, Nava aponta também as traças que atacam a planta, após a colheita no armazenamento, e a importância das boas práticas de manejo para combatê-las “Essas pragas são consideradas pouco agressivas e costumam ocorrer em pomares que não possuem um sistema de manejo adequado então costumamos falar que são pragas de “pomares descuidados””, complementa o pesquisador.

Marília Lazaroto, palestrante da Ufgrs, ministrou a palestra Doenças da Nogueira-Pecã. Em na sua fala ela apontou as principais doenças da cultura e suas práticas de prevenção. Duas doenças de campo com grande incidência na região apresentadas na palestra, a sarna e a mancha marrom, são doenças que podem registrar perda de 50% da produção do ano.

A pesquisadora aponta que a principal forma de combater essas doenças é trabalhar com práticas de manejo focadas nas boas práticas de condução do pomar, como o cultivo de plantas mais resistentes e menos suscetíveis a essas doenças. Ela contou ainda que os produtores que participam com mais frequência dos cursos, conhecem mais essas doenças e as principais práticas de prevenção.“Embora existam alguns produtos biológicos potenciais a base de bacilos e também alguns produtos aéreos (registrados para todas as culturas) que podem ser utilizados para a sarna da pecã existe a preocupação com a resistência da doença, porque um problema de recomendar fungicida é que a doença pode se tornar mais resistente”, explica a palestrante.

Para a participante e agrônoma Nádia Terabi o evento é uma oportunidade para atualizar seus conhecimentos e retornar a trabalhar com a cultura. “Como estava afastada do cultivo há mais de dez anos conheci muitas informações novas sobre o manejo da noz-pecã e como sou de uma região diferente, o norte do Paraná, busco informações para expandir a produção mais para o norte”, complementa a participante.

O Dia de Campo

 

Com o propósito de complementar o ciclo do aprendizado e fechar no campo tudo o que foi visto durante as palestras sobre as práticas da pecanicultura, o Curso se encerrou com um dia de campo realizado em uma propriedade parceira da Embrapa, a AgroBrasil P30, de Encruzilhada do Sul/RS. “A gente está abrindo as porteiras para receber muitas informações, muitas trocas de experiências, e acredito que para quem está participando do Curso também seja uma experiência interessante”, disse o engenheiro agronômo da propriedade visitada,  Oraci.

 

Mobilização dos produtores e políticas públicas

 

Outra intenção do evento foi mostrar a mobilização dos produtores e incentivar os que ainda não participam dessas ações para aderir as atividades de dar visibilidade aos frutos secos e conquistar políticas públicas que atendam a demanda do setor. “Um dos resultados dessas ações foi o reconhecimento do cultivo da nogueira pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aonde foi obtido, através da mobilização da Câmara Setorial da Nogueira-Pecã, o registro de cultura minor-crops, ou seja,  o registro de culturas com suporte sanitário insuficiente (Csfi),  que regulamenta o uso de agrotóxicos em culturas consideradas pequenas ou especiais.. Outra novidade é o Instituto Brasileiro de Pecanicultura, movimento criado pelos produtores para dar suporte à pesquisa e solicitar politicas públicas que atendam as suas necessidades. “Agora a noz-pecã está legalizada dentro do Mapa para que se possa realizar mais adiante o controle de doenças”, diz Martins.

 

Avaliação do Curso

 

“O público participante destacou a necessidade de melhorar a qualidade da noz-pecã, aprimorar as práticas de cultivo e de produção, pois com o crescimento do setor produtivo, aumentará a competitividade, com isso, como os produtores irão sobreviver sem realizar a entrega ao mercado de um fruto de qualidade que atenda as necessidades de cultivo e também do consumidor? “, questionou Martins.
Esta edição do curso alcançou cerca de 60 participantes dos mais diversos públicos, desde produtores experientes a produtores que estão querendo iniciar o cultivo da noz-pecã, pesquisadores, técnicos, estudantes, professores e investidores vindos de diversas regiões do Rio Grande do Sul, como também do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

O II Curso sobre o Cultivo da Nogueira-Pecã foi realizado através de uma parceria entre a Universidade Federal de Santa Maria (Ufsm), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufgrs), Universidade Federal de Pelotas, (Ufpel) e Emater/RS.

Fonte: Embrapa Clima Temperado

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