SETOR FRUTICULTOR ORGANIZA-SE PARA COLHER MAIS E COM MELHOR QUALIDADE

SETOR FRUTICULTOR ORGANIZA-SE PARA COLHER MAIS E COM MELHOR QUALIDADE

Valor da produção de todas as frutas acompanhadas pelo IBGE

 

A grande variedade de espécies plantadas pela fruticultura brasileira permite ofertar frutas frescas durante o ano todo. A área plantada com 23 espécies de frutíferas diminuiu 105,466 mil hectares em 2017, totalizando 2,627 milhões de hectares, conforme a última pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, das 11 frutas mais produzidas, laranja, açaí, uva, maçã, melancia, limão e manga registraram volumes superiores aos obtidos em 2016. Os dados referentes a 2018 serão divulgados em agosto de 2019, informou o Instituto.

O valor da produção de todas as frutas acompanhadas pelo IBGE, três de lavouras temporárias (abacaxi, melancia e melão) e 20 de plantios permanentes, totalizou R$ 38,9 bilhões em 2017, com alta de 4,6%, conforme o levantamento do órgão público. O Estado de São Paulo continua no posto de maior produtor de frutas do Brasil, com o valor de R$ 10,6 bilhões em 2017, seguido pelo Pará, com R$ 6,8 bilhões. A ascensão do Pará à posição de segundo colocado deu-se pela inclusão do açaí na pesquisa a partir de 2015, além de outros fatores.

Algumas frutas representativas da fruticultura brasileira indicavam que a produção seria menor em 2018. A colheita de laranja estava estimada em 16,677 milhões de toneladas, com queda de 10,7% em relação ao volume de 2017, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE. A banana reduziria para 6,710 milhões de toneladas em 2018, 6,6% a menos do que o resultado anual anterior. A uva também chegaria a 1,592 milhão de toneladas, diminuindo 5,2%. É possível que parte dessas quedas sejam supridas pelo aumento da produção de outras frutas.

A previsão também era de queda para o valor da produção dessas três frutas em 2018. O recuo de faturamento foi calculado em 22% para banana, 12,2% para laranja e 5,2% par uva, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), vinculada à Universidade de São Paulo (USP). O cálculo é feito em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A queda em receita foi provocada ainda pelos preços menores pagos ao trio de frutas ao longo do ano.

A CNA destaca que trabalha para possibilitar que mais fruticultores tenham acesso a novas tecnologias de produção e a variedades adaptadas à realidade das diversas áreas de cultivo espalhadas pelo País. A expectativa é de que a fruticultura oferte mais e melhores frutos em 2019, além de se consolidar como grande gerador de emprego e renda, sobretudo nas regiões mais pobres do País. O clima favorável, o crescimento significativo de produtores que investem em novas tecnologias de produção e variedades adaptadas são os fatores que devem contribuir para os resultados positivos esperados para 2019. A melhoria da qualidade das frutas deve ser a marca dos próximos anos, destaca a entidade.

FALTAM DADOS O assessor técnico da CNA, Eduardo Brandão, explica que a fruticultura enfrenta vários desafios. Um deles é a falta de dados oficiais para auxiliar no pleito de mais políticas públicas. Também a burocratização nas aprovações fitossanitárias e a falta de defensivos agrícolas são outros aspectos que travam o setor fruticultor. “A burocratização nos faz perder competitividade. Levamos em média oito anos para aprovações fitossanitárias, enquanto países como o Peru levam apenas um ano e meio”, compara.

Brandão ainda ressaltou o baixo consumo de frutas no País. Porém, afirmou que ações têm sido feitas para alcançar a média determinada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como o programa de incentivo realizado pelo Hortifruti Saber e Saúde, que trata da saudabilidade das frutas e das hortaliças. O consumo per capita de frutas no Brasil é de 57 quilos por habitante ao ano, e o recomendado pela OMS é de 140 quilos.

Por outro lado, pesquisas de tendência de consumo apontam que os consumidores estão optando na hora da compra por aqueles produtos indicados para uma alimentação saudável e fáceis de preparar. Também demonstram que o Brasil é onde mais se consome frutas no café da manhã (59%) e depois do jantar. Além da demanda in natura, as frutas estão ganhando importância no preparo de sucos dentro dos lares. Hoje, 25% dos sucos são consumidos ao natural, com crescimento de 22% em relação ao período analisado anteriormente.

 

Por: EDITORA GAZETA

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